Amamentação

Estamos na semana da amamentação e apesar de sua importância tanto em nível nutricional, como imunológico e psicológico e de todos os esforços para incentivar o aleitamento materno em nosso país, o desmame precoce ainda acontece de forma considerável, sendo um desafio para nós profissionais de saúde.

A amamentação é um momento único e exclusivo entre mãe e filho, que favorece a forte ligação entre ambos e o equilíbrio emocional da criança, confesso que embora o processo da amamentação seja algo maravilhoso, não é tão simples como muitas vezes é colocado, isso porque envolve fatores fisiológicos, ambientais e emocionais e ainda é cercado por mitos e crendices populares.

Mas o que de fato é verdade ou não?

NÃO existe leite fraco
É importante que a mulher tenha uma boa alimentação durante o período da amamentação, mas caso isso não ocorra, o leite produzido será sempre de ótima qualidade e completo para criança. O que ás vezes pode acontecer é o manejo incorreto por falta de orientação. Por isso, é importante procurar ajuda assim que perceber que seu filho está com dificuldade de mamar.

COLOSTRO o que é?
É o leite produzido nos primeiros dias após o parto, persistindo por um período de 3 a 4 dias. É um líquido espesso, amarelado, rico em proteínas e anticorpos, embora secretado em pequena quantidade é adequado as necessidades do recém nascido, desempenhando importante papel protetor(é a primeira vacina da criança), inclusive para prematuros.

É necessário oferecer água ou outros líquidos ao bebê?
NÃO. O Ministério da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo nos seis primeiros meses de vida da criança. Nem mesmo água é necessário oferecer, pois nesse momento o leite materno é tudo que o bebê precisa. É importante que a oferta do leite materno ao bebê ocorra conforme a vontade da criança, tendo como limite o seu apetite. Não há nenhuma vantagem em se iniciar a oferta de outros alimentos nesse período. Ao contrário, a introdução alimentar antes dos seis meses de vida pode levar prejuízos à saúde da criança, tais como:
• Aumento dos episódios de diarreia;
• Aumento das doenças respiratórias;
• Risco de desnutrição se os alimentos introduzidos forem menos nutritivos que o leite materno, como, por exemplo, quando os alimentos são muito diluídos;
• Menor absorção de nutrientes importantes do leite materno, como o ferro e o zinco;
• Tendência à diminuição do período de amamentação.

Uso de chupetas ou bicos interfere no processo de amamentação?
SIM. O uso de chupetas e bicos muitas vezes utilizados com o intuito de acalmar o bebê pode levar à menor frequência do aleitamento, levando a menor produção do leite e consequentemente ao desmame. A influência exercida pela chupeta sobre a amamentação pode ser atribuída a “confusão dos bicos”, que é uma disfunção motora oral secundária ao uso de bicos e chupetas que dificulta a pega correta da do bebê no seio materno. Além disso, as mamadeiras e chupetas são difíceis de limpar e esterilizar, podendo causar infecções.

Existe algum alimento que aumente a produção do leite?
NÃO. É a sucção do bebê que vai estimular a produção do leite, quanto mais o bebê mamar, mas leite será produzido.

A alimentação da mãe pode prejudicar a amamentação?
NÃO. A maioria dos alimentos não afeta a amamentação. Comer um pouco mais que o habitual já é suficiente para atender as necessidades nutricionais da mãe nesse período. Os alimentos ácidos não “azedam” o leite. Não é necessário tomar mais leite de vaca para produzir leite. Café, chá preto ou mate e refrigerantes em grande quantidade podem provocar cólicas no bebê. Parar temporariamente com eles vai mostrar se são os causadores das cólicas. As bebidas alcoólicas e o cigarro são desaconselháveis porque podem afetar a saúde do bebê.

Quando a mãe engravida novamente pode continuar a amamentar?
Sim. Uma nova gestação não prejudica o leite. A amamentação não costuma prejudicar o bebê que está se formando, o gosto pode mudar um pouquinho, mas a criança logo se acostuma.

Tenho prótese de silicone, posso amamentar?
SIM. Existem várias maneiras pelas quais as próteses podem ser colocadas, e a maioria delas não oferece nenhum risco. O material da prótese não interfere na qualidade do leite, elas ficam localizadas abaixo das glândulas mamárias e, portanto, não interferem em nada na amamentação. Pelo mesmo motivo, o bebê não sofrerá para sugar o leite do seio mais rígido, típico de quem passou pela cirurgia.

Como fazer para trabalhar e amamentar?
O retorno ao trabalho quando a licença maternidade termina é sempre um desafio. Mas, com algumas medidas simples, é possível passar por essa adaptação numa boa sem que o bebê deixe de ser amamentado. Veja como:
• Procure uma Unidade Básica de Saúde ou um Banco de Leite Humano para aprender como fazer a extração manual do leite. Uma ou duas semanas antes de voltar ao trabalho, começar a tirar o seu leite e a guardá-lo para fazer um estoque;
• Amamentar antes de sair de casa para o trabalho e imediatamente após regressar;
• Amamentar durante a noite;
• No trabalho, se possível, retirar o leite, tantas vezes quanto o bebê mamaria se estivesse com a mãe;
• Nos dias de folga, oferecer o peito à vontade;
• Na ausência da mãe, o leite estocado deve ser dado em xícara ou copinho;
• Evitar mamadeiras e chupetas;

Como fazer para conservar o leite estocado?
No trabalho, você pode, após lavar as mãos, retirar e guardar seu leite em um frasco de vidro, com tampa plástica de rosca (tipo de maionese ou café solúvel), lavado e fervido com bastante agua (pote e tampa). O forro de plástico que vem encaixado na tampa deve ser retirado. Se houver geladeira, manter o leite sob refrigeração. Se não houver, mantê-lo em isopor com gelo;
Conservação e validade:
• Na geladeira:
– Leite cru – 12 horas
– Leite Pasteurizado degelado – 24 horas
• No freezer:
– Leite cru – até 15 dias
– Leite pasteurizado – 6 meses

Para ser dado ao bebê, o leite deve ser descongelado e aquecido no próprio frasco, em banho-maria. O leite materno não pode ser descongelado em micro-ondas e não deve ser fervido. O leite aquecido que não foi usado deve ser jogado fora. Caso esse armazenamento não seja possível, para manter a produção você deve apenas ordenhar seu leite e jogá-lo fora.

IMPORTANTE: O leite materno deverá ficar o menor tempo possível à temperatura ambiente.

Caso você decida doar o excesso do seu leite a um Banco de Leite Humano (BLH)*, congele-o imediatamente após a ordenha, seguindo todas as demais orientações feitas pelos profissionais do local.

Quem procurar em caso de dúvidas?
Os Bancos de Leite Humano sempre têm equipes que sabem ajudar as mães na amamentação. Os “Hospitais Amigos da Criança” também podem ajudar. Informe-se na sua cidade se existe algum grupo de apoio à amamentação, pois eles são muito úteis.

Não deixe que dúvidas e insegurança interfira nesse processo mágico que nós mulheres temos o privilégio de viver!!

Beijos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.