Introdução alimentar

Quando chegamos ao momento de introduzir alimentos a dieta dos nossos bebês, inúmeras dúvidas chegam junto, expectativas são criadas o que somada ao retorno ao trabalho (para a maioria das mamães é o período que termina a licença maternidade) geram um mix de sentimentos, incluído insegurança e medo.

Mas não precisa ser assim, pensando em tudo isso resolvi conversar e dividir com vocês todas as informações que adquiri nesta fase com base em experiências próprias, bem como em pesquisas sobre Introdução Alimentar.

Alimentar um bebê requer muitos cuidados, porém com amor e informação é possível alcançar bons resultados.

De maneira geral, é preciso que haja entendimento do que realmente deve acontecer durante essa fase, antes de iniciar a introdução alimentar converse com o pediatra e nutricionista de confiança.

Introdução Alimentar ou Alimentação Complementar, como o próprio nome diz, é a apresentação de alimentos além do leite, seja ele materno ou fórmula infantil. Ocorre no período de seis meses até os dois anos de idade. O bebê continuará recebendo leite, este alimento ainda será à base da sua alimentação no primeiro ano de vida. É importante que isto fique claro para vocês, muitas vezes me deparo com mães em desespero achando que o bebê não esta comendo a quantidade necessária, porém esta é uma fase de apresentação dos alimentos. Lembre-se que até então o seu bebê não conhecia nenhum outro tipo de alimento que não fosse o leite, seja ele materno ou fórmula infantil, tudo pra ele é novidade, a textura, o aroma, o sabor, etc. Oferecer o peito logo após os alimentos não deve ser uma regra, e sim uma alternativa, quando a criança aceita pouco o alimento oferecido.

No primeiro semestre de vida, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a criança mame exclusivamente, após o primeiro ano de vida, a amamentação deve ser mantida como complementação da alimentação sólida até os dois anos de vida ou mais. O leite materno atende perfeitamente as necessidades dos bebês. Ele não apenas proporciona proteção contra infecções e alergias como também estimula o desenvolvimento do sistema imunológico e a maturação do sistema digestório e neurológico. Possui quantidade adequada de água para o bebê, não sendo necessário oferecer água, chás ou sucos.

Aos seis meses de vida, respeitando o processo de desenvolvimento das capacidades psicomotoras e neurológicas do bebê, está indicado iniciar a introdução da alimentação complementar. Nesta idade, a maioria das crianças atinge estágio de desenvolvimento com maturidade fisiológica e neurológica e atenuação do reflexo de protrusão da língua, o que facilita a ingestão de alimentos sólidos. As enzimas digestivas são produzidas em quantidades suficientes, razão que habilita as crianças a receber outros alimentos além do leite materno. A criança começa a sentar sem apoio do tronco, já consegue pegar os alimentos e levá-los à boca, passa de uma mão a outra, além de ter a mastigação e deglutição mais coordenada.

Na impossibilidade do aleitamento materno, a fórmula infantil recomendada pelo pediatra ou nutricionista deverá substituir o leite materno.

O leite de vaca integral, por várias razões, não deverá ser introduzido antes dos 12 meses de vida. Pobre em ferro e zinco, é um dos grandes responsáveis pela alta incidência de anemia ferropriva em menores de 2 anos no Brasil. Além de precipitar alergias, diarreia, problemas respiratórios como asma e de pele, como a dermatite atópica.

Porque manter o aleitamento (materno ou por fórmula) exclusivamente até os seis meses de vida?

Não há evidências de que exista alguma vantagem na introdução precoce (antes dos seis meses) de outros alimentos que não o leite humano na dieta da criança. Por outro lado, os relatos de que essa prática possa ser prejudicial são abundantes.

No primeiro semestre de vida do bebê os alimentos são nutricionalmente inferiores ao leite materno, assim o consumo precoce de alimentos complementares pode interferir na manutenção do aleitamento materno, aumentando o risco de morbimortalidade infantil, pois o bebê poderá mamar menos e consequentemente, diminuir a ingestão dos fatores protetores contidos no leite materno. Além de aumentar a incidência de alergias e infecções.

A recomendação para introdução alimentar de crianças que usam fórmula infantil deverá seguir o mesmo padrão preconizado para aquelas que estão em aleitamento materno exclusivo (a partir dos seis meses). Considerando o desenvolvimento da criança, que antes disso não está apto para receber outros alimentos, com maiores riscos de engasgos, além da substituição de alimentos que deixariam de atender as necessidades nutricionais dos bebês nessa fase.

Mãe alimentando o filha aos 6 meses.

Iniciando a introdução de novos alimentos..

A orientação dos Órgãos de Saúde é que a introdução alimentar seja feita de maneira responsiva e participativa.

O método utilizado dependerá da sua escolha, seja ele tradicional, na consistência de purê (amassados com o garfo, NUNCA liquidificados ou peneirados), ou os alimentos oferecidos inteiros, ou em pedaços em formato de haste (de forma que o bebê consiga pegar), o chamado baby-led-weaning, o importante é que a alimentação seja equilibrada e variada, fornecendo todos os tipos de nutrientes, desde a primeira papa.

A oferta de frutas, verduras e legumes variados, habituará a criança a opções saudáveis. Opte por alimentos in natura e minimamente processados, a oferta de alimentos ultraprocessados não deve fazer parte da rotina alimentar da criança em nenhuma fase, principalmente nos primeiros dois anos de vida, período em que o seu paladar está em formação. Lembrando que nenhuma fruta é contraindicada. (Diferenças nutricionais entre os alimentos in natura e os diferentes tipos de processamento)

A partir do 6º mês pode-se iniciar 2 refeições de fruta e 1 papa principal, conforme os horários da família, o ideal é que as refeições aconteçam no momento em que a família esteja reunida a mesa. O termo “papa salgada” foi substituído por papa principal, pois não há necessidade de introduzir sal às refeições, o sal contido nos alimentos é o suficiente.

A refeição principal deve conter pelo menos um alimento de cada um dos seguintes grupos:

Guia alimentar para crianças menores de 2 anos.( Fonte: Manual de orientação para a alimentação do lactente, do pré-escolar, do escolar, do adolescente e na escola/Sociedade Brasileira de Pediatria, 2012.)
Nível pirâmide Grupo alimentar Idade
6 a 11 meses
Idade
1 a 3 anos
Idade pré-escolar e escolar Adolescentes e adultos
1 Cereais, pães, tubérculos e raízes 3 5 5 5 a 9
2 Verduras e legumes 3 3 3 4 a 5
Frutas 3 4 3 4 a 5
3 Leites, queijos e iogurtes leite materno* 3 3 3
Carnes e ovos 2 2 2 1 a 2
Feijões 1 1 1 1
4 Óleos e gorduras 2 2 1 1 a 2
Açúcar e doces 0 1 1 1 a 2

A OMS recomenda que as carnes sejam oferecidas desde o inicio da alimentação complementar, para garantir a oferta adequada de zinco e ferro na dieta das crianças. Na quantidade de 50 a 70 g/dia (para duas papas), não deve ser retirada após o cozimento, mas sim picada, tamisada (cozida e amassada com as mãos) ou desfiada, e é fundamental que seja oferecida à criança. Crianças vegetarianas e veganas devem realizar acompanhamento inicial com nutricionista.

A segunda papa principal será, oferecida a partir do sétimo mês de vida, ficando duas papas principais e duas refeições com frutas.

A consistência dos alimentos deve ser progressivamente elevada, respeitando o desenvolvimento da criança, para propiciar oferta calórica adequada. Além disso, as crianças que não recebem alimentos em pedaços até os 10 meses apresentam, posteriormente, maior dificuldade de aceitação de alimentos sólidos.

Com 1 ano, a criança já participa plenamente das refeições da família, com 3 refeições principais e 2 refeições menores de fruta ou cereais.

Importante Saber:

É importante oferecer água potável a partir da introdução da alimentação complementar porque os alimentos dados ao lactente apresentam maior quantidade de proteínas por grama e maior quantidade de sais, o que causa sobrecarga de solutos para os rins, que deve ser compensada pela maior oferta de água.

A necessidade de ferro aumenta aos seis meses de idade, algumas estratégias para garantir uma melhor absorção são fundamentais, como deixar o feijão (ou qualquer outra leguminosa) de molho em água com algumas gotas de limão por 24 horas, para cozinhar descarte está agua e use agua filtrada limpa; oferecer alimentos ricos em vitamina C, junto ou logo após a refeição, o ideal é oferecer uma fruta rica nessa vitamina após o almoço ou jantar. Por exemplo: Laranja, abacaxi, kiwi, acerola, etc.

Caso o bebê recuse algum alimento, ofereça em outro momento o mesmo alimento com diferentes combinações, texturas e formato (Veja o meu texto sobre isso aqui)

O Ministério da Saúde/Organização Pan-Americana da Saúde (MS/OPAS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria estabeleceram, para crianças menores de 2 anos, dez passos para a alimentação saudável:

  • Passo 1

Dar somente leite materno até os 6 meses, sem oferecer água, chás ou quaisquer outros alimentos.

  • Passo 2

A partir dos 6 meses, introduzir de forma lenta e gradual outros alimentos, mantendo-se o leite materno até os 2 anos de idade ou mais.

  • Passo 3

Após os 6 meses, dar alimentos complementares (cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas e legumes) três vezes ao dia se a criança receber leite materno e cinco vezes ao dia se estiver desmamada.

  • Passo 4

A alimentação complementar deverá ser oferecida sem rigidez de horários, respeitando-se sempre a vontade da criança.

  • Passo 5

A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida com colher; começar com consistência pastosa (papas/purês) e, gradativamente, aumentar a consistência até chegar à alimentação da família.

  • Passo 6

Oferecer à criança diferentes alimentos todos os dias. Uma alimentação variada é, também, uma alimentação colorida.

  • Passo 7

Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições.

  • Passo 8

Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas nos primeiros anos de vida. Usar sal com moderação.

  • Passo 9

Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos; garantir armazenamento e conservação adequados.

  • Passo 10

Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar, oferecendo a alimentação habitual e seus alimentos preferidos e respeitando sua aceitação.

Lembre-se que eu estarei disponível para esclarecer dúvidas!

 

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